Chega uma altura em que muitas pessoas questionam: comprar casa pronta ou fazer a construção, o que é melhor? Para encontrar a resposta a esta questão é necessário fazer uma análise e pesar todos os parâmetros.
Se não sabe se deve comprar um terreno para construir a casa dos seus sonhos ou comprar uma casa pronta, aproveite este artigo para identificar quais os principais benefícios e desvantagens de cada uma das possibilidades.
Na prática, há duas decisões diferentes escondidas nesta pergunta:
- preferir previsibilidade e rapidez (casa pronta), ou
- preferir personalização e potencial de otimização (construir).
Vamos por partes.
Comprar Casa Pronta
A principal vantagem de comprar uma casa pronta é o fator tempo. Quem não quer esperar pela construção e pretende ter uma casa de imediato, deve optar por comprar uma casa pronta.
Optar pela casa pronta também é a melhor solução para quem não tem paciência para controlar todo o processo de construção de uma nova casa.
Pela negativa, podemos referir a dificuldade que é encontrar uma casa pronta adequada, principalmente quando se definem critérios algo rigorosos.
Imagine que você pretende uma casa com três quartos numa certa zona de uma localidade e com dois lugares de estacionamento. Encontrar um imóvel com essas caraterísticas pode ser difícil.
Outra questão importante relativamente a comprar casa pronta é o fator desconhecido. Por muita informação que se tente reunir, como a vizinhança, a localização ou a estrutura do imóvel, existem sempre fatores que só vão ser conhecidos com o tempo.
Esses fatores podem incluir o estado da canalização da casa ou da fiação elétrica. Em imóveis antigos, esta questão é ainda mais relevante.
Preços médios de compra por cidade e por região (2025)
Abaixo fica uma tabela com valores medianos por m² (preços de oferta/anúncio) para ajudar a enquadrar o mercado em 2025. São referências úteis para comparação — mas não substituem uma análise por bairro, estado de conservação e tipologia.
| Tipo de zona | Zona | Preço mediano (€/m²) | Nota rápida |
|---|---|---|---|
| Cidade | Lisboa | 5.914 | Maior pressão e oferta curta |
| Cidade | Porto | 3.908 | Forte procura, sobretudo zonas centrais |
| Cidade | Funchal | 3.864 | Mercado com dinâmica própria |
| Cidade | Faro | 3.400 | Algarve tende a manter preços altos |
| Cidade | Setúbal | 2.957 | Alternativa frequente à AML |
| Cidade | Coimbra | 2.267 | Forte procura em zonas específicas |
| Cidade | Braga | 2.133 | Crescimento consistente |
| Região | Área Metropolitana de Lisboa | 4.180 | Referência agregada da AML |
| Região | Algarve | 3.862 | Muito sensível a localização |
| Região | Região Autónoma da Madeira | 3.691 | Valores altos em vários concelhos |
| Região | Norte | 2.488 | Grande variação entre litoral/interior |
| Região | Centro | 1.695 | Interior puxa média para baixo |
| Região | Alentejo | 1.927 | Depende muito de concelho |
| Região | Região Autónoma dos Açores | 1.965 | Mercado irregular por ilha |
Fonte: índice de preços do idealista (novembro de 2025), com preços medianos de oferta/anúncio por cidade e por região.
Construir Uma Casa Nova
A grande vantagem de fazer uma construção é que assim você pode fazer o projeto ideal, pode concretizar exatamente a casa que imagina. Na prática, você ganha a capacidade de fazer uma construção otimizada e adaptada a suas necessidades.
Depois, é preciso notar que você vai ficar com um imóvel novo, cuja construção foi (deverá ser) supervisionada diretamente por si, o que aumenta a confiança e reduz as possibilidades de futuros problemas.
Pela negativa, você precisa de ter tempo e paciência para apostar na construção de uma casa nova. Para que tudo corra como desejado você deve fazer um acompanhamento próximo da obra, o que exige um certo grau de compromisso de sua parte.
Custos indicativos de construção por cidade/região (2025)
Aqui entra um ponto importante: falar de “custo por m²” é útil, mas é sempre uma média. O mesmo m² pode custar mais ou menos conforme acabamentos, complexidade (vãos, caves, muros), e condicionantes do terreno.
| Referência (2025) | Zona / Tipo | Intervalo típico | O que inclui / notas |
|---|---|---|---|
| Construção tradicional | Portugal (média praticada) | 950–1.500 €/m² | Obra (sem terreno e sem outras despesas) |
| Construção “low-cost” | Portugal (mais simples) | 850–1.000 €/m² | Soluções e acabamentos mais contidos |
| Exemplo prático | Lisboa (T2, 100 m²) | 130.000–150.000 € | ~1.300–1.500 €/m² (só construção) |
| Exemplo prático | Porto (T2, 100 m²) | 100.000–130.000 € | ~1.000–1.300 €/m² (só construção) |
| Referência fiscal | Valor oficial p/ efeitos de IMI | 665 €/m² | Valor base fiscal (não é preço de mercado) |
Fonte: valores indicativos de custo por m² e exemplos por cidade (Lisboa/Porto) e referência fiscal.
Um detalhe que pesa bastante no “mundo real”: mesmo quando os materiais estabilizam, a mão de obra tende a empurrar custos. Em 2025, o índice de custos de construção tem mostrado aumentos homólogos, com a componente de mão de obra a subir mais do que materiais.
Veja também: Quanto custa construir uma moradia em Portugal?
Exemplo rápido: Se a sua casa tiver 120 m², só a construção (obra) pode ficar, por exemplo, entre 114.000€ (120×950) e 180.000€ (120×1500).
| Item | Quanto custa (regra geral) | Nota |
|---|---|---|
| Terreno | variável | Aqui pode estar a maior diferença do orçamento (e da localização) |
| Construção (empreitada) | ~950€ a 1500€/m² (tradicional) | Valor indicativo; não inclui terreno e outras despesas. |
| Construção “mais simples/low-cost” | ~850€ a 1000€/m² | Quando a construção e os acabamentos são mais contidos. |
| Projeto de arquitetura (serviço) | ~3000€ a 9000€ | Estimativa típica de mercado. |
| Projeto de especialidades | ~3000€ (média indicativa) | Ex.: estabilidade, águas/esgotos, etc. |
| Projetos/licenças (exemplo de ordem de grandeza) | pode rondar ~7000€ | Há exemplos indicativos desse patamar, mas varia muito. |
| Licença de construção / taxas | ~450€ a 1200€ (estimativa) | Depende do município e do processo. |
| Fiscalização | ~1% a 3% do custo da obra | Pode ser por percentagem (ou por visitas/relatórios). |
| IVA na empreitada | regra geral taxa normal; 6% só em casos específicos | Em reabilitação urbana/ARU pode aplicar-se 6% com requisitos; fora disso, tende a aplicar-se a taxa normal. |
Conclusão
A conclusão que podemos retirar é que não existe uma resposta única para a questão: “comprar casa pronta ou fazer a construção: o que é melhor?”. Tudo depende do tempo e até da disponibilidade de cada pessoa.
Nem todas as pessoas têm a paciência necessária para optar pela construção de uma casa, já que essa decisão obriga a um acompanhante rigoroso, que pode até ser desgastante. Quem não se quer preocupar demais com todos os passos associados à construção, pode sempre optar por comprar uma casa pronta.
Perguntas frequentes
Se estivermos a falar de Lisboa (e algumas zonas do litoral com muita procura), é fácil perceber porque é que tanta gente faz contas à construção: os valores por m² na compra são altos e, mesmo quando a obra “não é barata”, a diferença pode justificar olhar para essa opção.
Dito isto, a comparação só fica justa quando você põe tudo na mesma folha: na construção, o “€/m²” costuma referir-se à empreitada e depois entram terreno, projetos, taxas, arranjos exteriores, ligações, etc. Já na compra, há impostos e custos de escritura/registo, mas o resultado final (a casa) está ali e é mais imediato.
Para ter uma referência de valores de obra por m² e do que costuma (ou não) estar incluído, veja estes intervalos indicativos.
Normalmente, não. Quando alguém diz “a construção fica a X €/m²”, quase sempre está a falar do custo da obra/empreitada.
O resto aparece à parte: projetos, licenciamento, fiscalização, trabalhos exteriores, muros, movimentação de terras, ligações às infraestruturas… e por aí fora.
É por isso que muitos orçamentos “derrapam” não por uma grande surpresa, mas por meia dúzia de extras que vão sendo acrescentados.
Os que eu vejo mais vezes a ficar “para depois” (e depois pesam) são os trabalhos fora da casa: muros/vedações, acessos, arranjos exteriores, drenagens, movimentação de terras e algumas ligações quando não estão mesmo ali ao lado.
E ainda há outro clássico: mudanças a meio do caminho (uma janela maior, outra solução de caixilharia, mais um ponto de água), que parecem pequenas decisões, mas vão somando.
Aqui a lógica é simples: tentar perceber o que é caro de corrigir mais tarde. Humidades e infiltrações (sobretudo em coberturas/varandas), sinais de reparações “cosméticas” por cima de problemas antigos, estado da instalação elétrica e canalizações (especialmente em imóveis mais antigos) e a qualidade real das caixilharias/isolamento.
Se houver dúvidas, uma avaliação técnica antes de avançar costuma evitar arrependimentos.
Porque o preço raramente é “só a casa”. É o que está à volta: procura, oferta disponível, acessos, emprego, serviços e a pressão do mercado naquela zona.
E mesmo dentro da mesma cidade, duas freguesias podem contar histórias bem diferentes. Os relatórios de preços por zona ajudam a perceber essa variação.
Em 2025, os dados oficiais têm mostrado subidas em termos homólogos nos custos de construção de habitação nova. O ponto que mais “puxa” costuma ser a mão de obra, enquanto os materiais variam menos (e podem oscilar por grupos).
Por exemplo, em outubro de 2025 o INE apontou um aumento homólogo de 4,5%, com materiais a 1,3% e mão de obra a 8,3%.
Veja também: Quanto custa construir um edifício residencial em Portugal



